Esse dia começou com uma mensagem em meu celular. Era mais de uma da madrugada e eu recebi um informativo do sertão. Isabela, o mais novo ser em minha vida havia finalmente respirado pela primeira vez. Sensação mágica essa. De mundo. De vida.
O dia continuou correndo numa velocidade um pouco menos desesperada do que de costume. No trem as pessoas andavam mais rapidamente do que meu pensamento estava acompanhando. É incrível como os olhos nunca se cruzam, como as vidas são tão distantes comparadas aos corpos forçadamente encostados uns nos outros.
Na volta para casa, enquanto minha irmã mergulhava na história das Putas Assassinas do Bolaño, eu parei para observar. As vozes eram tantas que não conseguia identificar nenhuma conversa claramente. Pessoas conversando com outras pessoas, de duas em duas, três em três, um homem careca conversando com o celular, pessoas rindo, pessoas fingindo estar dormindo, outras dormindo realmente, crianças mais cansadas que os pais, pais visivelmente mais cansados que as crianças... e a grande cobra de metal não parava, não esperava mais que o tempo programado.
Vinte e quatro de fevereiro. Aniversário de uma amiga que estava trabalhando.
Uma moça entrou, sentou em minha frente. Sua fisionomia me chamou a atenção. O celular tocou. Sua voz trêmula anunciou a morte de um parente e a longa viagem que ia fazer até Minas Gerais, provavelmente para o enterro.
Não tirei meus olhos da moça que devia estar sentindo um dos piores sentimentos. Devia estar arrependida, nostálgica... O mundo dela era muito diferente do meu, mas eu, apesar de não sentir, entendia a dor da moça desolada.
Como é que eu podia saber o que ela estava sentindo se nunca passei por isso antes?
Faço a mesma pergunta em relação a pessoa que deu a vida à pequena Isabela.
A imaginação é um bem que não pode ser negado. Feliz ou infelizmente.
Dia vinte e quatro de fevereiro de dois mil e dez.. mais uma pessoa entra no planeta terra , outra comemora os anos que já viveu aqui e outra parte para o desconhecido.
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